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Robô de lances: perguntas e respostas sobre o que é permitido e como funciona

Eu construo um robô de lances, e as mesmas perguntas aparecem toda semana, em reunião com cliente, em comentário no LinkedIn, em conversa de evento. Juntei aqui as mais comuns, com respostas diretas. Onde existe regra, cito a fonte. Onde a resposta depende da ferramenta, explico como o robô da Wavecode funciona e o que vale perguntar a qualquer outro.

1. Robô de lances é permitido?

Sim. A regra federal do pregão eletrônico não só permite como prevê lance automático. A Instrução Normativa SEGES/ME nº 73/2022, no art. 19, diz que, ao cadastrar a proposta, “o licitante poderá parametrizar o seu valor final mínimo ou o seu percentual de desconto final máximo”. A partir daí, “os lances serão de envio automático pelo sistema, respeitado o valor final mínimo estabelecido” e o intervalo mínimo entre lances.

Card com o art. 19 da IN SEGES/ME 73/2022: lances de envio automático respeitando o valor final mínimo

Em outras palavras, a própria regra federal prevê um robô de lances. O Compras.gov.br já anunciou o recurso, que ainda não está disponível para os licitantes no portal, e alguns portais, como o LicitaNet, já oferecem lance automático nativo.

A desconfiança vem de outra época, quando a disputa terminava de forma aleatória e quem automatizava parecia levar uma vantagem injusta. A regra mudou, e passou a prever o que antes era visto com suspeita.

2. O valor mínimo que eu parametrizo fica visível para alguém?

Não para os concorrentes, nem para o órgão. O § 2º do mesmo art. 19 diz que o valor parametrizado “possuirá caráter sigiloso para os demais fornecedores e para o órgão ou entidade promotora da licitação”. Só os órgãos de controle externo e interno podem acessar.

3. Se a regra já prevê lance automático, para que serve um robô externo?

O lance automático nativo, onde existe, resolve um caso: um item, num portal, até o valor mínimo. Um robô externo cobre o que fica de fora disso.

O primeiro ponto é a disponibilidade. Na maioria dos portais ainda não existe lance automático nativo, e onde existe, ele é mais simples. O segundo é o volume: o robô disputa várias salas e vários itens ao mesmo tempo, coisa que uma pessoa sozinha não acompanha. O terceiro é a estratégia. Dá para escolher a hora de entrar na disputa, brigar por uma posição que não seja o primeiro lugar e se manter classificado para a fase fechada, quando o modo de disputa tem uma. E dá para acompanhar o chat do pregoeiro enquanto a disputa acontece.

4. O robô pode dar um lance abaixo do valor mínimo que eu defini?

No robô da Wavecode, não. O valor mínimo é conferido antes de cada envio, e não só no começo da disputa. Se o próximo lance ficaria abaixo do piso, ele não sai.

Essa é a primeira pergunta a fazer a qualquer ferramenta: o piso é checado antes de cada lance ou só uma vez?

5. E quando um concorrente vai abaixo do meu piso?

Depende da estratégia que a empresa escolheu antes da sessão. As opções são três: parar e deixar a posição, enviar o próprio valor mínimo uma última vez, ou passar a disputar a melhor posição que ainda alcança, como o segundo ou o terceiro lugar.

Card: o concorrente deu um lance 1 centavo abaixo do seu piso. O que o robô faz

Nenhuma é certa para todos os casos. O importante é que a decisão seja da empresa, tomada antes da sessão, e não da ferramenta na hora.

6. Quais estratégias de lance existem?

No robô da Wavecode são quatro, e podem ser combinadas por item:

Até o mínimo. Cobre os lances dos concorrentes até chegar ao piso.

Disputar outras posições. Tem duas formas. Na manual, a empresa escolhe a posição desejada (segundo, terceiro ou outra), o que é útil quando ela sabe que o primeiro colocado tende a ser desclassificado ou quando só quer ficar entre os convocáveis. Na automática, o robô disputa sozinho a melhor posição que ainda respeita o valor mínimo configurado.

Cobrir o próprio lance. Continua baixando o preço mesmo quando a empresa já está em primeiro lugar. A cada rodada, o robô cobre o próprio último lance com o desconto configurado e para ao chegar no valor mínimo.

Manter-se classificado para a fase fechada. No modo aberto e fechado, só dá o lance final fechado quem termina a fase aberta com oferta até 10% acima da melhor da sala, ou entre os três melhores. O robô faz só o necessário para a empresa ficar dentro desse corte. Se ela já está entre os três primeiros, nem precisa dar lance para se classificar, e o robô respeita isso.

7. Quando o robô entra na disputa?

A empresa configura, com um tempo de entrada que vai de 2 minutos até 10 segundos. A referência muda conforme o portal e o modo de disputa.

No Compras.gov.br, no modo aberto, o robô conta o tempo que falta para acabar a contagem do item, pelo relógio oficial do portal. Com 30 segundos configurados, por exemplo, ele só começa a lançar nos últimos 30 segundos. No modo aberto e fechado, a entrada segue a própria fase da disputa, sem contagem por tempo, e o robô pode se limitar a garantir a classificação para o lance fechado (ver a pergunta 6). Na BLL a lógica é parecida, mas o portal conta o tempo de outro jeito, e a opção de 10 segundos não existe.

Entrar cedo demais puxa o preço para baixo antes da hora. Entrar tarde demais aumenta o risco de o lance não ser processado a tempo.

8. O pregoeiro sabe que o lance veio de um robô?

Não existe “lance de robô” do ponto de vista do portal. O lance chega pelo mesmo canal, na mesma sessão e em nome da mesma empresa de um lance digitado à mão. Para o pregoeiro, é um lance da empresa.

9. Quem responde pelo lance?

A empresa, do mesmo jeito que responderia por um lance manual. O robô executa o piso e a estratégia que alguém da empresa definiu. Por isso, o risco real da automação não é jurídico, é de configuração: um piso definido sem conta feita vira um preço que a empresa não consegue honrar, e o problema aparece na convocação, não na disputa.

Uma regra prática: o piso deve ser definido com quem fechou o custo, e não com quem cadastrou a proposta.

10. O que fica registrado de cada lance?

No robô da Wavecode, cada lance enviado fica registrado com valor, horário, piso configurado, melhor lance no momento, posição e resposta do portal. E, para cada lance que deixou de ser enviado, fica registrado o motivo (por exemplo, o próximo valor passaria do piso).

É esse registro que permite explicar depois o que aconteceu numa sessão, para o gestor, para o cliente ou para um órgão de controle.

11. Em quais portais o robô funciona?

Hoje o robô da Wavecode está em produção no Compras.gov.br, BLL, BNC, Licitações-e (versões nova e antiga), Portal de Compras Públicas, Compras-RS, Banrisul, Procergs e LicitaNet. Outros portais estão em desenvolvimento.

Ao avaliar qualquer ferramenta, pergunte quais portais estão em produção agora, e não “em breve”. E pergunte como você fica sabendo quando um portal muda o layout ou o login e o robô para. Isso acontece, e a pergunta certa não é “se”, é “quanto tempo leva para voltar”.

12. E quando o portal pede captcha?

Na maioria dos casos, o usuário não precisa fazer nada. Quando a verificação do portal não é concluída, aparece um aviso no topo da tela da sala. Enquanto isso, o robô continua tentando, mas algumas informações, como o ranking, podem ficar desatualizadas até a verificação voltar a funcionar.

13. O robô funciona em dispensa eletrônica?

Sim. A dispensa eletrônica tem regra própria (IN SEGES/ME nº 67/2021), e o ponto que mais muda é o lance final. No robô da Wavecode ele pode ser configurado de quatro formas: não enviar, dar um desconto em reais, dar um desconto percentual ou enviar direto o valor mínimo.

No Compras.gov.br, o lance final sai no último instante antes do encerramento, com o momento calculado a partir da velocidade da conexão. Pode ser um lance único ou uma sequência rápida de lances descendo, sem nunca passar do valor mínimo. BLL, LicitaNet e Portal de Compras Públicas também têm lance final na dispensa.

14. Preciso deixar o computador ligado durante a disputa?

Sim. O robô da Wavecode roda no computador da empresa, não na nuvem. Por isso vale saber o que acontece em cada imprevisto:

Se a internet cair, o robô avisa na tela e volta a disputar sozinho quando a conexão retorna. Os lances que deveriam sair durante a queda não são enviados.

Se a sessão do portal expirar, o robô faz o login de novo automaticamente.

Se o computador desligar, a disputa para. É preciso ligar a máquina e abrir a sala de novo. As configurações ficam salvas.

A recomendação é deixar o computador na tomada, com o modo de suspensão desativado e uma conexão estável durante as sessões.

15. Como definir o valor mínimo?

O piso é o menor preço que a empresa consegue honrar sem prejuízo, considerando custo do produto ou serviço, frete, impostos, prazo de pagamento do órgão e a margem mínima aceitável. Ele deve ser calculado antes da sessão, por quem conhece o custo, e revisto quando o custo muda.

Vale também conferir se o piso não fica tão baixo que a proposta corra o risco de ser considerada inexequível. Esse é um assunto para um artigo próprio.

Fonte

Instrução Normativa SEGES/ME nº 73/2022, art. 19, disponível no portal gov.br/compras. Os trechos citados foram conferidos no texto oficial em setembro de 2026. As respostas sobre o funcionamento do robô descrevem a ferramenta da Wavecode na data de publicação.

Para disputar em vários portais sem perder o controle do piso

O robô de lances da Wavecode confere o valor mínimo antes de cada envio, disputa várias salas ao mesmo tempo e registra o motivo de cada lance que não saiu. O piso e a estratégia continuam sendo decisão da empresa.

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